Olá! Disse-me Maria sem tirar os olhos do computador. Olá! Respondi mecanicamente. Quando me sentei na secretaria em frente, reparei que Maria tinha o olhar de uma criança assustada, que o seu corpo era frágil e que o seu sorriso escondia uma profunda tristeza. De onde vinha aquela tristeza de Maria? Provavelmente de lugar nenhum, seria apenas a minha imaginação em busca de histórias tristes e complexas nos rostos de pessoas simples. Maria interrompe os meus pensamentos com uma pergunta trivial: - Como foi o fim-de-semana? Normal, como todos os outros, fiquei em casa a arrumar o quarto dos miúdos, a passar a ferro, a cozinhar para toda a semana.... ainda tive tempo para pintar o cabelo e arranjar as unhas – respondo de rajada. Não lhe pergunto nada, mas Maria diz-me: - Passei o sábado no hospital com o Raul, a mudança de tempo é terrível para os asmáticos, o Raul teve falta de ar e passamos uma boa parte da tarde de sábado na urgência do hospital, nos aerossóis. Finjo interes...
"Temer o amor é temer a vida, e quem teme a vida já está três quartos morto." Bertrand Russell