Conheci o Manuel num restaurante, no jantar de aniversário de uma colega de trabalho. Foi fácil perceber que o Manuel era um dos seus amigos de eleição, uma amizade dos tempos de faculdade. O Manuel estava sozinho, a sua mulher, Raquel, estava em viagem. Nesse fim-de-semana participava num encontro informal de mulheres escritoras. Fiquei a saber que a Raquel não é escritora, no sentido que habitualmente damos à palavra, ela faz critica literária e é uma conceituada filóloga. O Manuel e a Raquel são casados há mais de 20 anos e todos, sem excepção, os consideram o casal modelo. Ninguém, naquele grupo, tinha aguentado tanto tempo um casamentos e, agora, todos entrados nos cinquentas, contávamos as vidas pelo número e qualidade das relações acumuladas. Muitos ainda perseguiam o sonho de encontrar o grande amor, acreditavam na alquimia que transformaria encontros vulgares, com pessoas comuns, em feitos extraordinários. Eu vivia entre as duas margens, não desacreditava no amor ...
"Temer o amor é temer a vida, e quem teme a vida já está três quartos morto." Bertrand Russell