Lígia Reyes ( Para a minha Mãe) Quero escrever para te celebrar. Porque um poema não morre e Só a tua primavera me compõe De todos os invernos, mãe. Chega atrasado, mas o que há-de chegar a horas Quando a casa onde chego é tua E um singelo poema pelo dia da mãe Não chega para alimentar duas bocas, Trocar fraldas, cuidar. Muitas vezes chorando no silêncio Porque se está só e as miúdas Teimam em não crescer, fazem asneiras Ficam doentes. E quando crescem, fazem asneiras, Ficam doentes - Fazem poemas, Lêem os livros da tua juventude, Furam a carne por diversão, Aparecem rapazes lá em casa, Viajam pela noite, pelo dia, Muitas vezes para longe. Estudam coisas que entendes bem demais, Vão para os lugares onde já estiveste - É aí que o coração aperta mais. Deixou de funcionar a famosa palmada - Agora só a vida é mãe, muitas vezes, Madrasta, e lá chega um "bem te avisei", Uma conversa, um abraço no final. Mãe, a poesia é forte como tu - Sofre d...
"Temer o amor é temer a vida, e quem teme a vida já está três quartos morto." Bertrand Russell