Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Régua

Festa da Ascensão ou Festa do Queijo

Em Godim, Peso da Régua, comemora-se a Acensão com uma feira, que começou por ser no adro da igreja e que, com tempo, passou a ocupar toda a rua. A especialidade mais vendida é o queijo, vêm fabricantes e comerciantes de várias zonas do país, é a nossa  Festa do Queijo. Na minha terra hoje é dia de comer queijo e biscoito da teixeira e, lá mais para a noite, ver o rancho e dar um pezinho de dança ao som dos artistas populares. Aqui por Lisboa é dia da espiga, vende-se o ramo: Espiga - pão; Malmequer - ouro e prata; Papoila - amor e vida; Oliveira - azeite, paz e luz; Videira - vinho e alegria; Alecrim - saúde e força. O ramo da espiga vai ficar pendurado atrás da porta, a proteger quem mora nesta casa e os que nos visitam. Gosto mesmo deste Portugal das tradições!!!!

#25 Abril, É Hoje...

Hoje é dia 25 de Abril e, para mim, é um dia alegre. É um dia alegre desde a minha infância. Tinha 9 anos quando se deu a Revolução e são desse tempo as melhores recordações que guardo dos meus pais. De repente tornaram-se pessoas alegres, passamos a frequentar a casa dos amigos e os amigos vinham a nossa casa. Cada um trazia algo para partilhar: pão, presunto, bola, pataniscas de bacalhau, aquele arroz de feijão e tomate e as frutas da época. Por essa altura, a minha mãe especializou-se em arroz à valenciana. Só mais tarde percebi porquê. Era um prato bom e barato, relativamente fácil de fazer e que, por isso, era a solução ideal quando se juntavam muitos convivas. Enquanto crescia, os 25 de Abril, em minha casa, eram comemorados com cravos, reunião de família e cozido à portuguesa. Pela manhã, Sessão Solene na Câmara Municipal e, pela tarde, brincadeiras na rua, amigos e felicidade. Uma das vantagens dos 50 anos é ter memórias e partilhar memórias! Hoje estou feliz e c...

Emoções Tecidas Neste Lugar

O meu amigo Alfredo Almeida pediu-me que escrevesse sobre os Bombeiros Voluntários da Régua, de imediato aceitei o seu convite. Reconheço agora que a minha atitude foi impulsiva e motivada por razões afetivas, pela minha paixão pela terra que me viu crescer e por esta imperiosa necessidade de invocar as raízes numa altura da vida em que já espalhamos ramos e perdemos folhas em tantos locais diferentes. Se tivesse sido mais ponderada teria, diplomaticamente, agradecido a distinção e declinado o convite. Perdi a oportunidade, nada mais me resta do que invocar as minhas memórias esparsas e cheias de fadas e duendes míticos para testemunhar o que os bombeiros foram para mim. Em casa dos meus avós ouvíamos a sirene dos bombeiros, era um grito desesperado de socorro, atormentava o meu coração de criança e conduzia a minha imaginação para cenários terríveis de fogo e calor. Lá em casa todos se agitavam, “onde é o fogo? onde é o fogo?” A Maria descia a correr as escadas que nos ligavam ...

O Jardim

Cada um de nós tinha um segredo guardado atrás de um qualquer banco daquele Jardim. Todos nós atravessavamos a rua, discretos, contornavamos a frente do jardim, aquela que se abria ampla para o Paço do Munícipo e, subindo a rua, procuravamos a pequena vereda que descia em direcção à parte de trás do coreto. Em tempos, nos idos anos de meados do século passado, por esse mesmo caminho desciam, todos os Domingos, os músicos da banda que animava a saída da missa e enchia de som e alegria as manhãs quentes e ensolaradas. Quando nós começamos a procurar a paz, a sombra e a magia do Jardim há muito que este tinha perdido a música dominical. O coreto envelhecia tristemente, as tábuas do palco, ora húmidas, ora ressequidas, não eram mais pisadas pelo aprumo dos músicos, apodreciam esquecidas da beleza do som. A cobertura já não o protegia das chuvas e o coreto acumulava a tristeza do abandono. O Jardim não tinha sido a nossa primeira ...