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Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2011

O Tédio

Há alguns dias que não escrevo, nem aqui, nem nos cadernos de papel, não me tem apetecido escrever. Há demasiado tédio para que me apetecer escrever. Também não me apetece trabalhar, não me apetece estar em casa e não me apetece sair. Fico, por vezes, a olhar para o ecrã do PC á espera que algo aconteça, que me chegue algo de novo, ou estimulante, ou verdadeiramente revolucionário. Alimento essa quimera de uma mensagem inesperada, alguém que se lembre que eu existo, que eu estou aqui, à espera de algo que não sei o que é. Alguém que me interprete, me adivinhe.  A vida segue igual, muito embora a minha vida nem seja assim tão igual a outras vidas. Tenho este condão de ir realizando alguns sonhos, de ir adiando outros e de, invariavelmente, me sentir vazia, sem nada de verdadeiramente substancial. Gosto de pessoas autónomas, cada um a viver a sua vida tal, como eu vivo a minha.  Temos um destino comum: o de cada um ter de tratar dos seus próprios sonhos e dos seus fr...

Eu e Deus

"Haja ou não Deuses, deles somos servos." Fernando Pessoa Nas situações dramáticas, em que tudo parece perdido, em que o desespero parece ser a única resposta possível há uma força que se abriga dentro de nós, há um jardim onde nos podemos refugiar e que realmente é um local de paz e de tranquilidade. Ser capaz de encontrar esse jardim é o grande desafio e é realmente a grande busca da vida. Não fui ensinada a encontrar esse lugar em mim e talvez por isso tenha sido tão difícil crescer. Todos os consolos que conhecia eram exteriores, estavam fora de mim e aceder a eles era algo que, na maioria das vezes não dependia de mim. Mesmo quando rezava e invocava Deus era sempre a invocação de um estranho, que, de algum modo, haveria de aparecer de qualquer lado para me salvar. É certo que, de uma forma ou de outra, acabei sempre por encontrar essa salvação, mas não a procurava onde realmente deveria procura-la, num Deus que habitasse em mim, que me fosse ...

Avó

Hoje vieram-me à memória os passeios de Verão com os meus avós. Saímos de carro, não íamos muito longe até porque Portugal é um país pequeno, mas descobríamos muitas coisas novas. Os meus avós eram pessoas alegres. A minha avô era uma mulher encantadora, fazia amizade com toda a gente, por onde quer que andássemos ela sempre encontrava alguém com quem conversar e as pessoas correspondiam facilmente ao seu desejo de conversa. Falava com todos, o que lhe permitiu adquirir uma sabedoria imensa. Para ela as pessoas eram todas basicamente iguais e o modo como os defeitos e virtudes se repartiam pela humanidade não lhe despertavam qualquer paixão. Era uma mulher que gostava de pessoas e as pessoas gostavam dela. A sua simpatia e a atenção que dedicava aos outros, movida pela sua imensa curiosidade, faziam dela uma amiga desejada. Nunca me pareceu que a minha avó necessitasse de qualquer companhia em especial, era independente, vivia segundo as suas próprias regras e...