Já tinha saudades do Teatro da Trindade e quando se têm saudades, sabe bem, matar as saudades. Fui, então, matar saudades do teatro mais bonito de Lisboa e assistir à peça " À Espera de Godot ". Depois de um dia intenso, de viagens e trabalho, foi bom sentar-me na plateia do teatro, no exacto momento em que as luzes de sala se apagam devagarinho e todas as atenções se dirigem para o palco. Afundo-me na cadeira, toda a minha atenção está ali, naquela espaço onde a vida se revela e a magia acontece. Vou viver a vida daqueles personagens, ou serão eles que estão a viver a minha vida? a viver tantas e tantas vidas diferentes? Gostei da encenação, dos actores, da luz, da cenografia. A complexidade e intensidade do texto ganha ternura nas interpretações, ora serenas, ora intensas. No cenário, os candeeiros eram arvores de luz, a noite e o dia sucediam-se, à espera de Godot... No final houve tertúlia, a sala iluminou-se, actores e encenador ocupar...
"Temer o amor é temer a vida, e quem teme a vida já está três quartos morto." Bertrand Russell