Chegaste até mim na madrugada da maturidade Naquela idade em que já tudo foi E em que tudo está ainda por acontecer Os primeiros traços da idade estavam aí Os cabelos começavam a rarear e as rugas faziam fios em torno dos teus olhos Mas o teu sorriso era de menino! Chegaste quando já não eras esperado Mas a mesa estava posta para ti Havia flores nos canteiros da memória e música a tocar E eu abri as minhas portas para acolher a tua solidão Coloquei um vestido curto para te mostrar que havia esperança Que, também eu, era ainda uma criança. Não te falei de amor, falei-te da vida! Trouxe-te para minha casa, deitei-te na minha cama Entreguei-te o meu corpo quente, maduro, sábio de outros toques Entreguei-me inteira, sem vergonha, sem culpa e sem mistérios Tomei-te para mim e decifrei os teus segredos, que calei Sabia-te frágil, incerto, esfomeado de amor que procuravas pelas ruas Sabia-te poeta, músico e ilusão Sabia-me em ti, em cada ausê...
"Temer o amor é temer a vida, e quem teme a vida já está três quartos morto." Bertrand Russell