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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Segredo

Magia

Gosto de mistérios, de pequenos pedaços de vida que não se explicam, que se escondem ou secretamente se revelam. Gosto dos segredos que se resguardam de olhares alheios e se partilham, em segredo. Aprendi com o tempo a acender a centelha do mistério enviando mensagens secretas, por isso gosto tanto de quem partilha segredos. Gosto de gestos mágicos, de trocas de olhares, de sorrisos que não dizem o que sentem e se desmancham em risos espontâneos. Foi um gesto mágico que me tocou e me prendeu, quando eu menos esperava, quando eu menos queria.  Guardo os meus mistérios nas estórias que conto, nas minhas pessoas inventadas, mas não tenho palavras para quebrar esta Magia.

O Amor

O que me importa mesmo é saber o que desperta o Amor em mim. Qual é gesto, o olhar, o sopro breve, a lua, o alinhamento astral ou, simplesmente, o bater de asas de uma borboleta que, sem aviso, me coloca perante a maravilha desse enlevo único, dessa ligação subtil a um ser que, a partir desse momento, é o meu Amor. Consigo, nesta minha vida que já tem tempo suficiente para que se conte, identificar momentos únicos, em que brotou em mim essa emoção: o Amor. Não foi cedo, nem sequer foi suave a minha descoberta do Amor. Tive a sorte de nascer e crescer num ambiente de Amor, numa família onde o Amor é tão natural como o ar que se respira ou a água de corre das torneiras, que não tive qualquer consciência da sua existência e da falta que me poderia fazer, até ao dia em que perdi a minha Mãe. Soube o que era o Amor, quando perdi o seu Amor e o meu Amor por ela ficou perdido e veio aninhar-se no meu peito em forma de dor. Depois, o Amor-dor transformou-se em Amor-saudade e, com tempo, vo...

O Jardim

Cada um de nós tinha um segredo guardado atrás de um qualquer banco daquele Jardim. Todos nós atravessavamos a rua, discretos, contornavamos a frente do jardim, aquela que se abria ampla para o Paço do Munícipo e, subindo a rua, procuravamos a pequena vereda que descia em direcção à parte de trás do coreto. Em tempos, nos idos anos de meados do século passado, por esse mesmo caminho desciam, todos os Domingos, os músicos da banda que animava a saída da missa e enchia de som e alegria as manhãs quentes e ensolaradas. Quando nós começamos a procurar a paz, a sombra e a magia do Jardim há muito que este tinha perdido a música dominical. O coreto envelhecia tristemente, as tábuas do palco, ora húmidas, ora ressequidas, não eram mais pisadas pelo aprumo dos músicos, apodreciam esquecidas da beleza do som. A cobertura já não o protegia das chuvas e o coreto acumulava a tristeza do abandono. O Jardim não tinha sido a nossa primeira ...