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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Trabalho

Longe do Mar (2) Manuel

A Teresa levou-me para a sua tribo. Depois do convite para o jantar de aniversário, no restaurante, veio o convite para jantar em sua casa, um grupo mais restrito, um ambiente mais intimo. Para além da Teresa, conhecia o seu companheiro, o Pedro, e o casal maravilha, Manuel e Raquel. Pareceu-me um grupo interessante e eu não tinha um programa melhor para essa sexta-feira à noite. A minha opção de vida celibatária, focada na profissão e na educação das minhas filhas nem sempre era um fardo fácil de levar e eu estava a sentir-me só. Creio que a Teresa se apercebeu disso, daí o convite para jantar, certamente estaria por lá um amigo solteiro.  Cheguei a casa da Teresa já passava das 21horas, não consegui sair mais cedo do gabinete. Escovei o cabelo no carro e pintei os lábios, ainda assim não fui a última a chegar, faltava o amigo solteiro… Tal como previsto, havia uma amigo solteiro, mas eu estava mais interessada em conversar com a Raquel e o Manuel, do que em fazer n...

O Tédio

Há alguns dias que não escrevo, nem aqui, nem nos cadernos de papel, não me tem apetecido escrever. Há demasiado tédio para que me apetecer escrever. Também não me apetece trabalhar, não me apetece estar em casa e não me apetece sair. Fico, por vezes, a olhar para o ecrã do PC á espera que algo aconteça, que me chegue algo de novo, ou estimulante, ou verdadeiramente revolucionário. Alimento essa quimera de uma mensagem inesperada, alguém que se lembre que eu existo, que eu estou aqui, à espera de algo que não sei o que é. Alguém que me interprete, me adivinhe.  A vida segue igual, muito embora a minha vida nem seja assim tão igual a outras vidas. Tenho este condão de ir realizando alguns sonhos, de ir adiando outros e de, invariavelmente, me sentir vazia, sem nada de verdadeiramente substancial. Gosto de pessoas autónomas, cada um a viver a sua vida tal, como eu vivo a minha.  Temos um destino comum: o de cada um ter de tratar dos seus próprios sonhos e dos seus fr...

FIM-DE-SEMANA

Olá! Disse-me Maria sem tirar os olhos do computador. Olá! Respondi mecanicamente. Quando me sentei na secretaria em frente, reparei que Maria tinha o olhar de uma criança assustada, que o seu corpo era frágil e que o seu sorriso escondia uma profunda tristeza. De onde vinha aquela tristeza de Maria? Provavelmente de lugar nenhum, seria apenas a minha imaginação em busca de histórias tristes e complexas nos rostos de pessoas simples. Maria interrompe os meus pensamentos com uma pergunta trivial: - Como foi o fim-de-semana? Normal, como todos os outros, fiquei em casa a arrumar o quarto dos miúdos, a passar a ferro, a cozinhar para toda a semana.... ainda tive tempo para pintar o cabelo e arranjar as unhas – respondo de rajada. Não lhe pergunto nada, mas Maria diz-me: - Passei o sábado no hospital com o Raul, a mudança de tempo é terrível para os asmáticos, o Raul teve falta de ar e passamos uma boa parte da tarde de sábado na urgência do hospital, nos aerossóis. Finjo interes...