Estou sentada num pequeno muro em frente ao mar e, entre nós, a praia de um fim-de-tarde de Maio. O vento fraco e frio arrefeceu o meu nariz e um ligeiro desconforto percorreu o meu corpo. Não sei há quanto tempo estou aqui, o mar é tão bonito, as ondas a baterem nas rochas que rodeiam a pequena praia acalmam os meus pensamentos. Vim até aqui para pensar, para organizar os meus pensamentos e para decidir a minha vida, mas o mar, o vento, o barulho e o cheiro deste local tomaram conta de mim, do meu corpo e da minha mente. Não sobra espaço para o pensamento. Não sei ao certo que horas são, fico por mais alguns minutos, não reflecti sobre os meus problemas nem tomei nenhuma decisão, continuo sem saber o que fazer mas estou tranquila, há em mim uma rara harmonia. Entro no carro e pela primeira vez em muitos dias sinto fome, uma vontade enorme de me sentar em frente de um bife com batatas fritas e uma cerveja preta. Há momentos em que nada é mais importante do que ...
"Temer o amor é temer a vida, e quem teme a vida já está três quartos morto." Bertrand Russell