Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Avó

O meu Pai-Menino

Passou mais um Dia do Pai, logo a seguir ao meu aniversário é o Dia do Pai, isso quer dizer que, o meu Pai, ainda não recomposto com a minha chegada ao mundo, logo, foi confrontado com o "Dia do Pai". Nunca lhe perguntei como tinha sido esse seu primeiro dia como Pai, mas não deve ter sido muito diferente dos "primeiros dias de pai", de tantos outros Pais. Certamente emocionado, mas, também, confuso e feliz. Guardo uma foto, desse primeiro dia, tirada pelo meu Pai. Na foto vê-se um pouco da minha Mãe, mas era a mim que ele queria fotografar e sou eu a razão de ser dessa foto, do seu gesto e de toda a sua atenção. Depois, com o passar o tempo, vieram outras fotos. As fotos dos primeiros anos são a preto e branco, tiradas com uma velha Rolleiflex, acomodada numa caixa de couro. As minhas primeiras fotos são quadradas e pequenas, guardo-as até hoje. Pelo Dia do Pai, são muitas as filhas e os filhos que guardam um tempo para homenagear os seus Pais. Invariav...

Emoções Tecidas Neste Lugar

O meu amigo Alfredo Almeida pediu-me que escrevesse sobre os Bombeiros Voluntários da Régua, de imediato aceitei o seu convite. Reconheço agora que a minha atitude foi impulsiva e motivada por razões afetivas, pela minha paixão pela terra que me viu crescer e por esta imperiosa necessidade de invocar as raízes numa altura da vida em que já espalhamos ramos e perdemos folhas em tantos locais diferentes. Se tivesse sido mais ponderada teria, diplomaticamente, agradecido a distinção e declinado o convite. Perdi a oportunidade, nada mais me resta do que invocar as minhas memórias esparsas e cheias de fadas e duendes míticos para testemunhar o que os bombeiros foram para mim. Em casa dos meus avós ouvíamos a sirene dos bombeiros, era um grito desesperado de socorro, atormentava o meu coração de criança e conduzia a minha imaginação para cenários terríveis de fogo e calor. Lá em casa todos se agitavam, “onde é o fogo? onde é o fogo?” A Maria descia a correr as escadas que nos ligavam ...

Avó

Hoje vieram-me à memória os passeios de Verão com os meus avós. Saímos de carro, não íamos muito longe até porque Portugal é um país pequeno, mas descobríamos muitas coisas novas. Os meus avós eram pessoas alegres. A minha avô era uma mulher encantadora, fazia amizade com toda a gente, por onde quer que andássemos ela sempre encontrava alguém com quem conversar e as pessoas correspondiam facilmente ao seu desejo de conversa. Falava com todos, o que lhe permitiu adquirir uma sabedoria imensa. Para ela as pessoas eram todas basicamente iguais e o modo como os defeitos e virtudes se repartiam pela humanidade não lhe despertavam qualquer paixão. Era uma mulher que gostava de pessoas e as pessoas gostavam dela. A sua simpatia e a atenção que dedicava aos outros, movida pela sua imensa curiosidade, faziam dela uma amiga desejada. Nunca me pareceu que a minha avó necessitasse de qualquer companhia em especial, era independente, vivia segundo as suas próprias regras e...