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À Espera de Godot



Já tinha saudades do Teatro da Trindade e quando se têm saudades, sabe bem, matar as saudades. Fui, então, matar saudades do teatro mais bonito de Lisboa e assistir à peça "À Espera de Godot". 

Depois de um dia intenso, de viagens e trabalho, foi bom sentar-me na plateia do teatro, no exacto momento em que as luzes de sala se apagam devagarinho e todas as atenções se dirigem para o palco. Afundo-me na cadeira, toda a minha atenção está ali, naquela espaço onde a vida se revela e a magia acontece. Vou viver a vida daqueles personagens, ou serão eles que estão a viver a minha vida? a viver tantas e tantas vidas diferentes? 

Gostei da encenação, dos actores, da luz, da cenografia.  A complexidade e intensidade do texto ganha ternura nas interpretações, ora serenas, ora intensas.  No cenário, os candeeiros eram arvores de luz, a noite e o dia sucediam-se, à espera de Godot...

No final houve tertúlia, a sala iluminou-se, actores e encenador ocuparam o palco para conversar com o público. Não eramos muitos, mas as perguntas da plateia foram bem interessantes e a conversa foi animada. 

Antes de regressar a casa, fui comer um sandwich de frango e beber uma imperial. 

Antes de dormir, já deitada, ainda peguei num livro para ler um pouco, mas adormeci e sonhei. Nos nos meus sonhos, eu não estava à espera de Godot.

Querem uma sugestão para a próxima quinta-feira? 

- Jantem cedo, vão ao teatro e, depois, passem por um bar para um petisco e uma imperial. 

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