Nas situações dramáticas, em que tudo parece perdido, em que o desespero parece ser a única resposta possível há uma força que se abriga dentro de nós, há um jardim onde nos podemos refugiar e que realmente é um local de paz e de tranquilidade. Ser capaz de encontrar esse jardim é o grande desafio e é realmente a grande busca da vida. Não fui ensinada a encontrar esse lugar em mim e talvez por isso tenha sido tão difícil crescer. Todos os consolos que conhecia eram exteriores, estavam fora de mim e aceder a eles era algo que, na maioria das vezes não dependia de mim. Mesmo quando rezava e invocava Deus era sempre a invocação de um estranho, que, de algum modo, haveria de aparecer de qualquer lado para me salvar. É certo que, de uma forma ou de outra, acabei sempre por encontrar essa salvação, mas não a procurava onde realmente deveria procura-la, num Deus que habitasse em mim, que me fosse intimo, que me conhecesse e em quem eu realmente confiasse de maneira incondicional. Um Deus que tomasse conta de mim enquanto eu descansava e que gostasse sempre de mim, mesmo quando eu não era a melhor rapariga do mundo. Só quando se encontra um Deus assim é que é possível o abandono, é que é possível acreditar que tudo é como tem que ser, que tudo está bem e que é possível ter paz e esperança. Não sei se algum dia serei verdadeiramente íntima desse Deus, mas sei que já me encontrei com ele por diversas vezes e que os nossos encontros são cada vez mais frequentes. A verdade é que sempre que o chamei ele veio ao meu encontro e abriu portas e janelas onde eu pensava que havia apenas caves escuras e muros impenetráveis pelo sol. Por várias vezes deu-me forças para derrubar os muros, outras vezes ele próprio os derrubou por mim. Todos estes meus encontros com Deus são bem-humorados, tenho a certeza que Deus se ri dos seus próprios milagres, afinal para ele os milagres são brincadeiras de criança.
Quando eu era criança, as crianças não estabeleciam qualquer relação directa com Deus, entre Deus e uma criança há sempre um intermediário adulto, um pai, uma mãe, uma tia, alguém. É como se Deus não se interessasse por crianças, das crianças tratam os adultos, dos adultos trata Deus. Estava tão convencida disto que sempre que rezava para pedir alguma coisa a Deus não esperava que fosse ele a dar-ma. Certa vez, no Natal, eu queria muito receber de presente um boneco nenuco que todos me diziam ser demasiado caro e que só as meninas ricas poderiam ter. Decidi então pedir a Deus que desse dinheiro à minha família para me comprarem o nenuco. Deus respondeu-me dando-me o nenuco sem dar mais dinheiro à minha família. Recebi o boneco como prenda de Natal da empresa onde o meu trabalhava. Ainda hoje não sei se Deus tivesse acedido ao meu pedido de dar dinheiro à minha família, eles o gastariam para me oferecerem o nenuco. Desta vez aprendi uma coisa, o melhor é pedir directamente o que quero, expressar apenas os meus desejos e deixar a Deus o trabalho de descobrir como os realizar.

Haja Deus :)
ResponderEliminarSim os protetores diretos para os meninos e meninas é Jesus e os Anjos! Deus é uma entidade está sempre lá e em toda a parte! Beijinho e boa noite Cristina, parabéns pela publicação desta nota! <3 :)
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