Eu fiquei de olhos fechados a ouvir a água do teu banho a correr. Deixei-me ficar ali, acordada mas de olhos fechados, a procurar na memória cada detalhe do quarto. Estava deitada, o teu cheiro estava por todo o lado e conhecia-o demasiado bem, tudo o resto me era estranho. Não tinha vontade de acordar, nem tinha vontade de ficar alí, se ao menos tu cantasses no duche ... mas não, tudo é silêncio entre nós.
Levantei-me quando te vi chegar, forçaste um sorriso que eu retribui com mais silêncio. Era a minha vez de usar a casa-de-banho e o cheiro do teu perfume invadia tudo. Apesar de intenso, eu sabia que aquele cheiro não me acompanharia, não se colaria à minha pele, nem à minha roupa e não deixaria qualquer impressão na minha memória. Também não guardaria recordações daquele local, não saberia dizer a cor das paredes, a disposição dos móveis ou sequer o nome das flores de que gostei tanto. Também não guardei as tuas palavras, nem os teus desejos, nem o toque dos teus lábios na minha pele, não tenho nada de teu.
Só guardo, precioso, o silêncio.
Quando o silêncio é um tesouro.
ResponderEliminarGosto!
Valter