segunda-feira, 20 de março de 2017

O meu Pai-Menino


Passou mais um Dia do Pai, logo a seguir ao meu aniversário é o Dia do Pai, isso quer dizer que, o meu Pai, ainda não recomposto com a minha chegada ao mundo, logo, foi confrontado com o "Dia do Pai". Nunca lhe perguntei como tinha sido esse seu primeiro dia como Pai, mas não deve ter sido muito diferente dos "primeiros dias de pai", de tantos outros Pais. Certamente emocionado, mas, também, confuso e feliz.

Guardo uma foto, desse primeiro dia, tirada pelo meu Pai. Na foto vê-se um pouco da minha Mãe, mas era a mim que ele queria fotografar e sou eu a razão de ser dessa foto, do seu gesto e de toda a sua atenção. Depois, com o passar o tempo, vieram outras fotos. As fotos dos primeiros anos são a preto e branco, tiradas com uma velha Rolleiflex, acomodada numa caixa de couro. As minhas primeiras fotos são quadradas e pequenas, guardo-as até hoje.

Pelo Dia do Pai, são muitas as filhas e os filhos que guardam um tempo para homenagear os seus Pais. Invariavelmente, leio testemunhos sobre pais-heróis, pais-amigos, pais-educadores, pais-fantásticos, pais-presentes, pais-trabalhadores, pais-dignos-de-admiração. Não vejo, pelo menos no FB, nenhuma queixa sobre os Pais e, se alguma houve, o tempo se encarregou de apagar porque, afinal, o Pai tinha razão.

Eu não tive um Pai assim. Não tive um Pai dedicado, herói, educador, presente, trabalhador, fantástico, um Pai de quem se siga o exemplo e cujo percurso me encha orgulho. Eu tive um Pai-Menino.

O meu Pai-Menino podia ser um doce, ser alegre e ter uma gargalhada fácil, mas, muitas vezes, fazia brigas e amuava por pequenas coisas. Podia ficar dias de mau-humor, dias em que não nos falava e que só a minha Mãe parecia compreender, sendo imenso o carinho com que o tratava. Mas, o meu Pai-Menino, também, era encantador, inteligente, gostava genuinamente de pessoas, era bom para os amigos e todos o recordam com saudade. O meu Pai-Menino era aquele que ouvia as pequenas desgraças alheias, tinha um ombro largo onde os amigos e amigas vinham chorar os seus desgostos de amor. Por algum tempo cheguei a pensar que o meu Pai-Menino gostava de pessoas tristes e, talvez por isso, a minha Mãe estivesse, tantas vezes, triste.

Cresci com o meu Pai-Menino e o meu amor por esse Menino foi imenso, é imenso. O meu Pai-Menino fez de mim uma Menina-Mulher, tive todos os desejos e necessidades de uma Menina, mas todas as decisões eram, já, de Mulher. Cedo percebi que o carinho do meu Pai-Menino não chegaria para cuidar de mim, me defender das dificuldades que enfrentava na escola e na vida, para me apoiar nas minhas decisões. Para isso, eu tinha o meu Pai-Avô.

Houve um tempo em que desejei transformar o meu Pai-Menino num Pai-Homem, mas foi um tempo perdido e, sobretudo, amargo. Crescer, tornar-se adulto, não é algo que se imponha a ninguém e, o meu Pai partiu, sem ter deixado de ser um Pai-Menino.

Do meu Pai-Menino guardo o calor do seu colo, aquele local donde, nos primeiros meses da minha vida, olhei a vida e o mundo, com uma vivacidade e paixão que, raramente, vislumbrei no seu olhar.

Mais tarde, alguém me disse, que os Homens-Meninos envelhecem tristemente, que não se "fazem acontecer", que se deixam levar pela vida, que são encantadores por minutos, mas que os dias os tornam solitários e amargos. Também me disseram, que os Homens-Meninos são os mais fáceis de amar e, também, os mais difíceis de esquecer.

Depois do meu Pai-Menino, foi a vez dos Homens-Meninos, que vieram como amigos e, até, como amantes. Tal como o meu Pai, todos foram encantadores, sensíveis e bons ouvintes, todos foram bondosos e todos estavam feridos. O meu Amigo-Menino, ouviu-me na tristeza dos meus desgostos de amor, atravessou um oceano para chegar a tempo de me acompanhar a uma festa, deu-me conselhos (que ele nunca seria capaz de seguir). O meu Amigo-Menino partiu cedo, tal como o meu Pai, não chegou a ser um Pai-Menino e, também, não nunca chegou a "fazer-se acontecer". 

No momento da despedida e, também, da homenagem é pelo meu Pai-Menino que correm as lágrimas e é a sua doçura que me vem à memória. Do Pai... fica a recordação daquele primeiro colo.  


terça-feira, 14 de março de 2017

Longe do Mar (1)


A Teresa levou-me para a sua tribo. Depois do convite para o jantar de aniversário, no restaurante, veio o convite para jantar em sua casa, um grupo mais restrito, um ambiente mais intimo. Para além da Teresa, conhecia o seu companheiro, o Pedro, e o casal maravilha, Manuel e Raquel. Pareceu-me um grupo interessante e eu não tinha um programa melhor para essa sexta-feira à noite. A minha opção de vida celibatária, focada na profissão e na educação das minhas filhas nem sempre era um fardo fácil de levar e eu estava a sentir-me só. Creio que a Teresa se apercebeu disso, daí o convite para jantar, certamente estaria por lá um amigo solteiro. 

Cheguei a casa da Teresa já passava das 21horas, não consegui sair mais cedo do gabinete. Escovei o cabelo no carro e pintei os lábios, ainda assim não fui a última a chegar, faltava o amigo solteiro… Tal como previsto, havia uma amigo solteiro, mas eu estava mais interessada em conversar com a Raquel e o Manuel, do que em fazer novos amigos, ainda que solteiros. 

A noite foi agradável. A Teresa tem um encanto especial e sabe acolher os seus amigos com um gesto mágico e generoso, que nos leva a confiar nela e a querer agradar-lhe. Apesar de ser a minha primeira vez em casa da Teresa, lá fui parar à cozinha, para fazer caipirinhas na Bimby e ajudar a Raquel a cortar a picanha. Foi uma noite animada. A comida estava maravilhosa, os convivas alegres e a Teresa irradiava uma rara felicidade. Reparei no Pedro, um homem discreto, sensível e verdadeiramente empenhado em fazer feliz a Teresa. Cheguei a perguntar-me se seria possível a Teresa retribuir-lhe tal empenho. Acredito que sim. Haverá momentos em que, também, a Teresa ficará sozinha, entregue a si própria e com espaço para uma troca de olhares, um suave toque de mãos e um espaço aberto à ternura. Deve ser o momento em que a Teresa vê o Pedro, em que ambos se acomodam na banalidade dos seus pequenos sonhos partilhados.

Entre mim e a Raquel estabeleceu-se uma grande cumplicidade. Não era, apenas, o facto de nos termos conhecido nos tempos da faculdade, era a partilha de uma memória, a recordação do Simão e de tudo o que ele tinha representado para cada uma de nós. A Raquel não ignorava que eu tinha sido apaixonada pelo Simão, mas ela tinha sido a sua namorada e a sua mulher e, agora, tudo não passava de uma memória. Doce para mim, amarga para ela. 

O Manuel deixou-nos conversar, deu-nos espaço e tempo e, ainda, alimentou uma conversa animada com o amigo solteiro, que tinha um belo sorriso, mas um olhar demasiado inquieto. 

Foi uma noite divertida. Saí de casa da Teresa já passava das três da manhã, o que, numa sexta-feira, não deixa de ser uma proeza. Um pequeno grupo de resistentes, entre os quais o amigo solteiro, ficaram até ao nascer do sol.

No sábado recebi duas sms, uma do amigo solteiro, outra do Manuel, a convidar-me para almoçar. Aceitei o convite do Manuel e respondi ao amigo solteiro com uma citação de Oscar Wilde. O meu velho truque, quando não me ocorria nada de interessante para dizer, citava Oscar Wilde.

Quarta-feira, lá estávamos, o Manuel e eu, a almoçar num pequeno restaurante, em Campo de Ourique. Sentamo-nos frente a frente numa mesa de canto, pedimos o prato do dia, cozido à portuguesa, uma dose para os dois e meia-garrafa de um vinho tinto de que não recordo a marca, ou a região, mas que, na altura, me pareceu razoável. 

Quando ficamos apenas os dois, olhos nos olhos, o Manuel perdeu o sorriso e com voz baixa, disse: - Sei que és amiga do Simão. 

O Simão foi meu colega de curso e, sim, somos amigos. Ou melhor, fomos amigos… não sei nada dele há mais de 25 anos. Respondi com um sorriso e, entre as azeitonas que ía debicando contei-lhe a história da minha paixão pelo Simão.  É certo que foi uma paixão moderada e realista, nada que me tivesse impedido de viver outras paixões e, até, um grande amor, mas, ainda assim, não deixou de ser uma paixão.

O Manuel sorriu e disse-me que a Raquel havia imposto duas condições para casar com ele: nunca se apaixonarem e não fazerem festa de casamento. É claro que me ri e conclui que a segunda condição teria sido bem mais fácil de cumprir do que a primeira. O Manuel sorriu e garantiu-me que, ambas, tinham sido igualmente difíceis. Não tinha sido fácil explicar à família e aos amigos que não haveria festa de casamento e, para ele, tinha sido muito difícil, não se apaixonar. 

Eu tinha visto o Manuel e a Raquel juntos, a cumplicidade das trocas de olhares e de gestos carinhosos. Para mim eles eram o casal mais apaixonado que eu conhecia e isso era notável. Sorri e voltei ao tom ligeiro da conversa, afinal há condições que não são para cumprir e a paixão não se controla, não depende da vontade, simplesmente acontece. O Manuel não seguiu o meu tom divertido, voltou a fechar o rosto e atirou: - é exatamente isso, a Raquel não admite qualquer sentimento ou emoção que não dependa da vontade. Amar a Raquel não é uma obra do acaso ou da oportunidade, amar a Raquel é um ato de vontade, uma decisão que tomei e da qual não me é permitido afastar-me. A Raquel não se permite ser objeto de uma paixão, ou ser, ela própria, apaixonada. Com a Raquel só o amor é possível. 

A conversa estava a tomar um caminho que me era desconfortável. Eu poderia ficar horas a falar de paixões e estava firmemente convencida que o amor acontecia ao virar da esquina, numa troca de olhares, numa troca de sorrisos. O Manuel, que eu vi abraçar a Raquel, sorrir para Raquel, acariciar a mão da Raquel, o Manuel estava a dizer-me que amava a Raquel, mas que esse amor era o resultado de um ato de vontade, ou seja, da racionalidade de uma decisão, tomada a coberto de qualquer paixão. É claro que quase 25 anos de vida em comum e quatro filhos são mais do que suficientes para construir cumplicidades, alianças e um firme propósito de investir nessa empresa a que chamamos família, mas recusava-me a acreditar que isso seria possível sem paixão, sem aqueles momentos de louca felicidade que aquecem o coração e inquietam a alma. 


Discutir estas questões entre a chouriça, as couves, a farinheira (de que eu não gosto) e outras iguarias do cozido-á-portuguesa levou-nos à segunda meia-garrafa de vinho tinto, o que muito ajudou a cimentar a nossa amizade e a deixar fluir as confidências. Quando terminamos o almoço, eu sabia que a Raquel tinha escolhido o Manuel para pai dos seus filhos e que ser mãe era o seu grande projeto de vida. É claro que dei o devido desconto às confissões do Manuel, afinal a Raquel era uma profissional brilhante e reconhecida e o Manuel era um marido amado, ainda que sem paixão, como ele me queria fazer crer. 

sábado, 4 de março de 2017

Longe do Mar




Conheci o Manuel num restaurante, no jantar de aniversário de uma colega de trabalho. Foi fácil perceber que o Manuel era um dos seus amigos de eleição, uma amizade dos tempos de faculdade. O Manuel estava sozinho, a sua mulher, Raquel, estava em viagem. Nesse fim-de-semana participava num encontro informal de mulheres escritoras. Fiquei a saber que a Raquel não é escritora, no sentido que habitualmente damos à palavra, ela faz critica literária e é uma conceituada filóloga. O Manuel e a Raquel são casados há mais de 20 anos e todos, sem excepção, os consideram o casal modelo. Ninguém, naquele grupo, tinha aguentado tanto tempo um casamentos e, agora, todos entrados nos cinquentas, contávamos as vidas pelo número e qualidade das relações acumuladas. Muitos ainda perseguiam o sonho de encontrar o grande amor, acreditavam na alquimia que transformaria encontros vulgares, com pessoas comuns, em feitos extraordinários. Eu vivia entre as duas margens, não desacreditava no amor e não acreditava na alquimia. 

O Manuel estava de bem com a vida, conversava com todos animadamente. Rapidamente me apercebi que o Manuel era especialmente atento a quem necessitava de mais atenção e que tinha a palavra certa, o gesto pronto e uma inteligência viva. As qualidades do Manuel não seriam, certamente, indiferentes à duração do seu casamento. Com o correr da noite vieram as fotos, os posts do facebook e lá acabei por adicionar o “amigo” Manuel e conhecer, ainda que virtualmente, a Raquel. Vi o seu perfil, e lá estava, tinha estudado na Universidade de Coimbra e eu conhecia-a. A mulher do Manuel tinha sido a namorada do Simão, o mais talentoso e romântico dos meus colegas de curso. 

Há tantos anos que não sabia nada deles, mas recordava muito bem a festa do seu casamento. No último ano do curso, o Simão e a Raquel tinham casado. O casamento foi uma festa académica. Cerimónia religiosa na Capela de S. Miguel, capas pousadas aos pés dos noivos, almoço e festa, pelo dia e pela noite, no bar de Direito. O Simão era querido de todos, tocava guitarra de Coimbra, compôs algumas das mais belas canções de Coimbra dos anos 80, muitas delas dedicadas à Raquel. Nós, os amigos do Simão, sabíamos pouco da Raquel, mas sabíamos que o Simão amava a Raquel e que a Raquel amava o Simão. Cada um vivia à sua maneira. O Simão era exuberante, passava as noites na boémia  dos fados e da sua amada Estudantina. Os dias na faculdade eram alegres e a sua excepcional inteligência e encanto eram a porta aberta para as ajudas dos colegas na preparação dos exames e uma certa complacência dos professores nas provas orais. Entre música, risos, códigos e amigos o Simão tinha terminado o curso e casado com a serena Raquel.

O Manuel mostrou-me a foto da Raquel e dos quatro filhos. Uma família linda, sorridente, bem sucedida. Sorri para o Manuel e comentei que a Raquel tinha estudado na Universidade de Coimbra na mesma altura que eu, que tínhamos frequentado faculdades diferentes, mas que tínhamos sido contemporâneas. O Manuel não mostrou qualquer interesse nesse facto, limitou-se a sorrir e eu retribui o sorriso. 

Nessa noite, depois da festa, quando cheguei a casa, enviei uma mensagem à recém-descoberta Raquel e combinamos tomar um café, na terça-feira seguinte, ao final da tarde, no Campo Pequeno, perto da sua Universidade.

Reconheci a Raquel de imediato e, apesar de nunca termos sido amigas intimas, abraçamo-nos emocionadas. O que nos ligava era o Simão e, agora, o Manuel. Mas era o Simão que povoava o nosso passado, esse pedaço de tempo que nos era comum. Eu queria saber o que tinha acontecido ao Simão, o que se tinha passado com eles. Raquel queria contar, senti nela a necessidade de regressar aquele tempo, com tudo o que nele havia de fantástico, de felicidade e de sofrimento. Confessei-lhe o quanto as amigas do Simão a haviam invejado o quanto cada uma de nós tinha desejado ser a noiva naquele casamento de sonho, sem dúvida o mais extraordinário dos muitos a que assisti. 

O rosto da Raquel fechou-se. O casamento de sonho não durou mais do que seis meses. A lua-de-mel no sul de Espanha trouxe-lhe um Simão que não gostava de praia, que passava os dias mal-humorado, na cama e no quarto do hotel e as noites nos bares agitados, entre copos e conversas sem nexo com estranhos. A Raquel sonhara com fins-de-tarde à beira mar, jantares românticos e noites carinhosas, a dois. O Simão parecia não ter sonhos, estava agitado, o rosto fechado, não falava, desapareceu durante um dia inteiro e quando se encontraram, ao jantar, tiveram a sua primeira discussão. No dia seguinte o Simão surpreendeu-a. Convidou-a para o bar do Hotel e cantou para ela, uma nova canção de amor que lhe era dedicada. Nessa noite reencontraram a harmonia, foram felizes e a Raquel justificou tudo o que a havia magoado nesses dias de lua-de-fel. Regressaram a Viseu, ela dava aulas numa escola secundária e ele estagiava em Advocacia. Viviam num pavilhão anexo à casa senhorial dos avós do Simão. A mãe do Simão organizava-lhes a casa, cuidava das refeições e das roupas. O Simão continuava a ser o menino da sua mãe e a Raquel estava cada vez mais sozinha. Durante a semana, a Raquel dava aulas, preparava aulas, lia e escrevia. Tinha feito amigos na escola e, às vezes, encontravam-se ao final da tarde, numa pastelaria do centro, para tagarelar, tomar café e comer uma castanha doce. O Simão tornou-se amargo, passava longos períodos sem lhe falar, saía de casa sem dizer onde ía e voltava tarde, cheirando a tabaco e a álcool. Qualquer tentativa de conversa terminava em discussão e em mais amargura. A Raquel ficava só, chorava e, quando ele regressava, pedia-lhe desculpa pelas mágoas que parecia causar-lhe. Sentia que não era amada, mas o Simão afirmava o seu amor por ela e quando ela decidiu ir passar um fim-de-semana sozinha, em casa dos seus tios, em Lisboa, ele apareceu no domingo, em lágrimas, para a ir buscar. E foi assim durante seis meses, os mais duros seis meses da sua vida. O Simão perdia o encanto, os presentes que lhe oferecia já não lhe faziam sentido. Ainda acalentou o sonho e encheu-se de esperança quando o Simão a convidou para uma viagem, só os dois, nas montanhas, longe do mar de que ele não gostava. Ela deixou-o no dia em que regressaram. Não era o mar, não eram as montanhas, era o Simão… 


Depois da separação, o Simão perseguia-a. Vinha choroso, desfeito em pedidos de perdão e promessas. Mas, também, vinha furioso, violento e ameaçador. Ela estava cansada e triste, durante vários meses foi seguida por um psiquiatra, sem conseguir trabalhar. De repente o Simão deixou de aparecer, de a perseguir. Soube por uma prima que ele se tinha apaixonado e ía casar. Ela respirou de alívio e seguiu com a sua vida. Candidatou-se a um lugar de assistente de filologia românica e deu início à carreira académica, em Lisboa. 

Tinha 27 anos quando conheceu o Manuel, não queria apaixonar-se e não se apaixonou.