domingo, 29 de novembro de 2015

Uma chávena de chá



Eu precisava de falar. Precisava de alguém que me ouvisse e me consolasse. O meu Amigo disse-me: - "Vem, estou à tua espera." Meti-me no carro e fui. Era sábado, estava calor, na auto-estrada pouco tráfego, mas aqueles 80 km pareceram-me uma imensidão. 

Cheguei a casa dele, atravessei o portão e entrei pelo jardim. Um homem idoso construía uma Mandala com pedras, umas pequenas, outras maiores, cada uma delas com a sua própria história, com os seus segredos. Da porta de casa, o meu Amigo, sorria-me. Acolheu-me com um abraço e levou-me para dentro. Senti o aroma do incenso e, ao mesmo tempo, uma estranha paz. Estava no local onde podia abrir o meu coração... 

O meu Amigo levou-me até à sua pequena sala de meditação, acendeu incenso, colocou uma música suave e sentámo-nos, próximos um do outro. Ele sorriu e perguntou-me: - "Como estás?"

Eu estava desfeita, recusava-me a aceitar, não compreendia o que tinha acontecido. Há duas semana eram os planos de férias em Cabo Verde e em três dias todos os planos de uma vida em comum tinham desaparecido. Eu estava sozinha, abandonada pelo homem que amava e a sentir uma dor indecifrável, que ía e vinha e percorria todas as células do meu corpo. Custava-me mover-me, tinha chorado tanto que uma letargia morna e dolorida se tinha apossado de mim. Por momentos tive a sensação de que abandonava o meu corpo, era tão grande a dor que nada mais restava do que sair daquele corpo e ficar, apenas, a olhá-lo.  

Falei com o meu Amigo. Sei que falei muito, mas não recordo o que lhe disse. Ele ouviu-me, deixou-me chorar e pegou nas minhas mãos. Colocou-se mais perto de mim, convidou-me a meditar com ele. Primeiro em silêncio, depois recitando um mantra que me pareceu alegre. Eu estava mais serena, uma boa parte da minha dor tinha-se dissolvido. Estava bastante melhor.

A despedida foi na cozinha, com uma chávena de chá. O meu Amigo, colocou água numa chaleira eléctrica e trouxe duas canecas, em cada uma delas um saquinho de chá. Preparou o chá, com cuidado e em silêncio. Foi em silêncio que o bebemos. Dei por mim estranhamente calma, apenas eu e o meu chá, um momento perfeito.

Antes de sair, o meu Amigo deu-me um presente, uma caixa de cartão com sete pequenas divisórias interiores e em cada uma delas três saquinhos de chá. Agradeci o presente e lembrei-me que também eu lhe tinha trazido um e que o deixara no carro: uma garrafa de azeite biológico. 

Foi longo o nosso abraço. O meu Amigo ía viajar, certamente passariam muitos meses até ao nosso reencontro. Ele disse-me: - "Sempre que te apetecer falar envia-me um email. Eu leio e respondo-te. Mas tens que me fazer uma promessa" - eu acedi com a cabeça - "só lés as minhas respostas à noite, no fim de todas as tuas tarefas, antes de dormir" - concordei.

Apeteceu-me falar e enviei o primeiro email. A resposta chegou no dia seguinte, pela manhã, mas eu não abri, tinha que cumprir a minha promessa. Chegada a noite abri o email do meu Amigo.

"- Feliz com as tuas notícias. Prepara um chá, o n.º 5. Senta-te e toma em silêncio o teu chá. No final, lava e arruma a taza. Tudo vai ficar bem. Abraços."

Escrevi-lhe 21 emails, tantos quantos os saquinhos de chá. A todos me respondeu da mesma maneira, apenas mudando o número. Ao longo daquele mês, todas as noites me sentei sozinha, em silêncio, para tomar o meu chá. No final, num gesto ritual, lavava e arrumava a chávena.

Passaram-se 10 anos, mas, desde então, sei que nos momentos de dor tenho um chá para preparar, um chá para beber e uma chávena para lavar. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Encontro...





"A vida é arte do encontro, embora haja tanto 
desencontro pela vida."
Vinícios de Moraes


Encontramo-nos no facebook. Que bom! Há mais de 20 anos que pouco sabíamos um do outro. Um amigo comum lá trazia uma notícia vaga. Eu sabia que ele trabalhava numa grande empresa de consultoria, ele sabia que eu vivia em Lisboa. Mas, pouco mais. O nosso reencontro foi caloroso, falamos no chat por muito tempo. Ele ficou a saber mais de mim e eu fiquei a saber coisas novas sobre ele. Reatar esta amizade fez-me bem, gosto de sentir que tenho um passado povoado de emoções, de gente e de pequenos segredos. 

- "Logo que vá a Lisboa telefono-te. Temos que nos encontrar, nem que seja só para um café". Disse-me ele. 
- "Combinado! Fico à espera!". E pouco tive que esperar. Duas semanas depois o Francisco está em Lisboa, em trabalho e combinamos um jantar. A ideia de rever o meu querido Amigo dos tempos de faculdade, fez-me mais feliz nessa tarde. 

Corri para casa ao final do dia, tomei um banho, estiquei o cabelo e abri e fechei o armário da roupa mais de dez vezes. Assaltou-me a eterna dúvida feminina: "Que vou vestir?" Ri-me de mim mesma, afinal não estava a arranjar-me para nenhum encontro amoroso, mas para um jantar fraterno com um amigo de juventude. Voltei a olhar o armário e todas as minhas dúvidas se dissiparam, pensei: "calças de ganga, uma camisola de gola alta, botas. De adereços apenas uns pequenos brincos em ouro e o anel, que nunca largo." Olhei-me ao espelho e gostei do que vi, poderia ser ilusão minha, mas, do espelho, olhava-me a rapariga de vinte e poucos anos, que tinha um amigo chamado Francisco, com quem ía jantar.

Encontramo-nos no restaurante, sem reserva tivemos que esperar por mesa no bar. Sentamo-nos lado a lado no mesmo sofá. O Francisco pegou na minha mão direita, colocou-a sobre sobre a sua mão esquerda, palma com palma. Com a outra mão acariciava levemente a minha mão pousada na dele. Por instantes fechei os olhos, sentia apenas a minha mão nas mãos dele e assaltava-me a memória de um tempo em que eu teria dado tudo por aquela carícia. Abri os olhos, olhei para ele e sorri, é um homem bonito, a farta cabeleira era agora branca, o seu sorriso era largo e expressivo. Sorriamos, apenas, um para o outro.  

- "Sabes...há muito tempo que desejava pegar, assim, na tua mão..." 
- "Porque não pegaste?"
- "Tive medo... tu eras a mais misteriosa de todas as raparigas que conhecia... não podia prever como seria... tive medo de te perder..."

Os nossos sorrisos voltaram a encontrar-se. Eu podia ser a rapariga misteriosa, mas, agora, ele era um Homem e a vida tinha-o ensinado a vencer o medo dos mistérios. Deixei a minha mão entre as mãos dele e toquei o seu rosto com os lábios, um beijo-carícia. Não conseguia perceber de onde vinha aquela ternura, como poderia ela ter estado guarda em meu coração durante tanto tempo. 

Quando nos sentamos para jantar, uma profunda cumplicidade envolvia-nos. Ele contou-me que uma das suas baladas tinha sido inspirada por mim, num tempo em que andávamos a ler "Memórias de Adriano" de Margarite Yourcenar. Lembrava-me desse tempo e, também, dessa balada, mas nunca me vi capaz de inspirar um artista. Sorri, agradeci e deixei correr, suave, o tempo do nosso jantar. 

Quando cheguei a casa e me deitei ao lado o homem que amava, disse-lhe: "Foi bonito o jantar, ele pegou a minha mão e disse-me que lhe inspirei uma das suas baladas...". Sem se virar, sem me tocar, sem me sorrir, ele disse apenas: - "Temos engate!"

E nesse dia, eu passei a amá-lo menos!!! 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Os Dias Assim



"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força da sua alma, todo o universo conspira a seu favor."
Goethe 



Há dias assim, em que nos importam os sonhos, os nossos e os dos outros, os apenas sonhados, os vividos e os nem por isso. São dias de fazer balanços, de limpar as gavetas da memória, de tirar o pó dos livros já lidos, de fazer uma nova lista de livros para ler, de guardar, para reler, aqueles de que sentimos falta. A vida não teria sentido sem estes "dias não-sonhos", dias de, apenas, contemplar os sonhos. E há uma estranha paz nesta tarefa, uma inexplicável ausência de revolta ou de raiva, mesmo perante os sonhos mal sonhados. 

Apesar do meu espírito inquieto e da minha alma insatisfeita, tenho dias assim, dias de apenas olhar os dias. Não! Não são dias perdidos, são dias de alimentar a alma, de voar sem medo e de contemplar o que fui, mais do que aquilo que sou. São dias que se impõem sem avisar, que eu tento evitar ou, ao menos, adiar. Sem sucesso, eles vêm devagar, começam na calada da noite e vestem-me de curiosidade logo pela manhã. E ali fico eu, rendida à tarefa de ver os sonhos. 

Desta vez, esse dia foi diferente. Ele não queria as minhas memórias, nem a leitura dos diários, que me acompanham desde os 12 anos de idade. Ele queria os meus sonhos partilhados, queria ver-me a olhar os sonhos que sairam do meu mundo secreto, que saltaram para o conhecimento público, que partilhei com amigos (velhos e novos amigos), com conhecidos e com desconhecidos. Perguntei-lhe: mas serão esses os meus sonhos? serão esses os sonhos de alguém? e se forem, valerá a pena conhecê-los? 

Não houve resposta, apenas se impôs a imperiosa necessidade de ir lá, abrir o Facebook(FB) e percorrer o meu mural, todos os meus posts e alguns dos comentários que eles suscitaram. Deve ter sido a primeira vez que o meu olhar sobre os "sonhos" tinha uma ordem, uma cronologia, uma sequência temporal e até uma certa coerência emocional. Deliciei-me a reler as citações, que me dizem tanto sobre mim e sobre o mundo; a rever as fotos de sucessos profissionais e de celebrações pessoais; a reviver o que foram os reencontros com tantos amigos, que julgava perdidos; a sentir de novo as alegrias e, também, as dores, que exprimi perante acontecimentos marcantes; a emoção da partilha de palavras, de sentimentos, de projectos. Tudo isto estava lá, no meu mural do FB, mas não encontrei os sonhos que procurava, nem os meus, nem os de ninguém. 

Já a madrugada ía alta e dos sonhos não havia qualquer notícia. Desisti, prometi a mim mesma que não voltaria a gastar nem mais um dos meus "dia assim" a procurar sonhos no FB, voltaria às minhas memórias (ainda que confusas e sem data) e aos meus diários (ainda que caóticos e rasurados).

Deitei-me, não consegui adormecer, apesar do cansaço. Peguei num dos meus diários e na primeira folha, tinha escrito uma citação de Goethe "Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força da sua alma, todo o universo conspira a seu favor." 


Compreendi, então, que só há um lugar onde guardar os meus sonhos: dentro de mim. O lugar onde habita todo o universo. 

sábado, 30 de maio de 2015

Continuam os Festejos

Aniversário da Maria João Justino


No passado dia 28 de Maio foi a vez da Maria João se juntar ao clube dos 50.

A Maria João é uma amiga que chegou à minha vida pela mão do Miguel, o que faz dela uma pessoa muito especial para mim. 

Acredito, com Unamuno, que "cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmo." E, por isso, celebro com o mesmo entusiasmo e alegria os velhos e os novos amigos, testemunhos vivos do quanto tenho a aprender com eles sobre mim própria. 

Vale mesmo a pena passar 50 anos a construir relações, a estabelecer laços, a ser autêntica, a ser filha e a ser mãe, a ser menina e mulher, amante e amiga. 

Parabéns, Amiga!!! 


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Festas de Aniversário: 50 Anos



Querem saber o que fiz no passado fim-de-semana, 16 e 17 de Maio? Fui até ao Norte, a Espinho e a Matosinhos, para comemorar o aniversário da Angelita (Na Cozinha da Té) e de uma amiga de infância.

E sabem que mais? As duas são mulheres maravilhosas acabadas de entrar nos 50.

As festas foram lindas, animadas, com petiscos, bolo e champanhe. Devo ter engordado 2Kg!!

Mas o melhor de tudo é saber que a amizade que, com cada uma delas, construímos em crianças, está viva e alegre e que estes 50 anos valeram a pena.




sexta-feira, 15 de maio de 2015

Casamento e Sorrisos

Monte dos Sorrisos, 2 de maio 2015
A minha amiga Adelaide foi a noiva mais bonita, feliz, amorosa e radiante que eu já conheci. O Pedro também é um belo rapaz, mas não ficou na foto.

Um casamento muito especial. Os noivos foram os anfitriões perfeitos e cada um dos convidados se sentiu como se a festa tivesse sido feita para si. O Monte dos Sorrisos é um espelho dos talentos raros da Adelaide, da sua dedicação e atenção aos pequenos nadas, que fazem toda a diferença.

Não há dúvida de que este foi o casamento com o qual a Adelaide e o Pedro sonharam. E, aos 50 anos, já todos sabemos muito bem quais são os sonhos que valem a pena.

Estou convencida, casamento a sério é mesmo depois dos 50.


O local é lindo e as fotos do António Rebordão estão aqui para o provar. Também fiquei a saber que o Monte dos Sorrisos  está disponível para acolher festas especiais!!!








quinta-feira, 14 de maio de 2015

Festa da Ascensão ou Festa do Queijo


Em Godim, Peso da Régua, comemora-se a Acensão com uma feira, que começou por ser no adro da igreja e que, com tempo, passou a ocupar toda a rua.

A especialidade mais vendida é o queijo, vêm fabricantes e comerciantes de várias zonas do país, é a nossa  Festa do Queijo.

Na minha terra hoje é dia de comer queijo e biscoito da teixeira e, lá mais para a noite, ver o rancho e dar um pezinho de dança ao som dos artistas populares.

Aqui por Lisboa é dia da espiga, vende-se o ramo: Espiga - pão; Malmequer - ouro e prata; Papoila - amor e vida; Oliveira - azeite, paz e luz; Videira - vinho e alegria; Alecrim - saúde e força.

O ramo da espiga vai ficar pendurado atrás da porta, a proteger quem mora nesta casa e os que nos visitam.

Gosto mesmo deste Portugal das tradições!!!!





domingo, 3 de maio de 2015

Da Angelita para a Tia

Angelita e Eu em Matosinhos 15.05.1983



Este blog é um espaço aberto aos meus amigos e a todos os que, de algum modo, tocaram a minha vida. A Angelita é minha prima, minha Amiga e a minha vida é tocada por ela desde a infância. Em todos os momentos importantes, alegres e tristes, meus e dela, estivemos juntas.

Ninguém melhor para começar partilha dos #50 anos do que a Angelita. É dela o seguinte texto:

Almoço de família na Régua 1980


Mãe, esta palavra só pertence aos filhos, só eles têm o direito de dizer "Mãe", mas eu não posso deixar passar este "dia da mãe" sem prestar uma singela homenagem a uma tia que, durante um ano, de tudo fez para que eu não sentisse tanto a falta da minha mãe, que estava longe, com o filho mais novo e outro na barriga. 

Os meus irmãos mais velhos estavam longe, um com a madrinha e outro com a nossa avó. Podem imaginar como é difícil esta situação para uma criança? Ficam marcas, memórias más... Mas eu tenho, desse tempo, memórias boas e felizes, porque esta Tia maravilhosa fez muito bem o seu papel. Ela tinha filhos, claro, e eles tinham, muitas vezes, ciúmes, porque, afinal, a mãe era deles.  

Tantas vezes ela foi ter comigo à cama e me limpou os olhos, porque eu chorava de saudades. E ela, baixinho, dizia-me: - "não chores, eu estou aqui!" Dava-me colo, carinho, mas se tinha que ralhar, também, ralhava. 

Ainda hoje guardo na memória o dia do nascimento da minha irmã. O meu Tio chegou a casa, pegou em mim, sentou-me ao seu colo e disse: - "tenho uma boa notícia para ti. A tua mãe teve uma menina. Tens uma irmã!" Fiquei louca de alegria, tive logo o carinho dos meus tios, porque chorei e os ciúmes da minha prima, afinal o que é isto, os pais são dela. 

Hoje, com a idade a passar e sem nada temer, chegou a altura de deitar cá para fora o que está, à tanto tempo, guardado dentro de mim.

Ganhei uma segunda família, porque a minha prima é, para mim, uma segunda irmã. Fui passar férias para a Régua, tantas vezes que até lhes perdi a conta. Mais tarde, os domingos passados em Matosinhos, com a Paula. Depois, as idas a Coimbra e outras tantas coisas. São tantas que já não cabem na minha memória. 

Foi essa Tia que ajudou a minha Mãe a fazer o meu casamento. 

Partiu muito cedo e deixou muitas Saudades. 

A Minha Tia Lígia.... "

Lígia Casal Ribeiro 20.10.1959


sexta-feira, 1 de maio de 2015

3º Aniversário do "Duetos da Sé"




No passado dia 26 de Abril o "Duetos da Sé" comemorou o 3º aniversário e eu, lá estive! É sempre bom partilhar o sucesso e a alegria dos amigos.

O "Duetos da Sé" é um restaurante/bar com música ao vivo, de que gosto muito. Neste espaço, propriedade dos irmãos Eduardo Lala e Carlos Lala, casam-se duas artes: a música e a gastronomia. A música a cargo do Eduardo e a cozinha sob a batuta do Carlos.

Há três anos, no dia da inauguração, percebemos imediatamente que estava a nascer um espaço diferente, na noite lisboeta. A simplicidade e o bom gosto, tanto na comida como na selecção dos músicos que, diariamente, se apresentam no palco do Duetos, fazem deste, um lugar de excepção. Foi, pois, com grande prazer que aceitei o convite dos irmãos Lala.

No dia de aniversário a festa foi grande. Boa Música, Boa Comida e Bebida e Bons Amigos!!!  Uma noite de domingo muito bem passada...

Para os meus amigos dos #50anos este é um local que recomendo. Há sempre música ao vivo, o programa mensal está disponível no facebook


Miguel Rebelo e Nuno Tavares em Duetos da Sé
26 de Abril de 2015

Parabéns, Vovô!

Régua, 1965
Este blog dos #50anos mais parece uma "caixinha de recordações", mas no dia de hoje não posso deixar de recordar o meu avô paterno, o Homem em quem mais confiei e, durante muitos anos, o meu porto seguro. Pois é, este Senhor simpático, ao meu lado, faria, hoje, 100 anos.

O meu Avô, tal como eu, também, gostava muito de celebrar o seu aniversário e ter nascido no dia 1º de Maio, Dia do Trabalhador, significava muito para ele.

A festa fazia-se no pátio, almoço com família e, pela tarde, começavam a aparecer os amigos. O meu Avô tocava guitarra portuguesa, havia sempre um viola e não faltavam fadistas.

Vejam as fotos, as duas tiradas no mesmo local, com uma diferença de 18 anos!!!


1º de Maio de 1983

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Eu e o meu Pai

Junho de 1965, Eu e o meu Pai

Foi há 21 anos que o meu Pai nos deixou. Foi num dia de sol e de lágrimas.

Hoje, recordo o meu pai com as minhas memórias de menina, a menina que ele pegava ao colo ...


sábado, 25 de abril de 2015

#25 Abril, É Hoje...




Hoje é dia 25 de Abril e, para mim, é um dia alegre.

É um dia alegre desde a minha infância. Tinha 9 anos quando se deu a Revolução e são desse tempo as melhores recordações que guardo dos meus pais. De repente tornaram-se pessoas alegres, passamos a frequentar a casa dos amigos e os amigos vinham a nossa casa. Cada um trazia algo para partilhar: pão, presunto, bola, pataniscas de bacalhau, aquele arroz de feijão e tomate e as frutas da época.

Por essa altura, a minha mãe especializou-se em arroz à valenciana. Só mais tarde percebi porquê. Era um prato bom e barato, relativamente fácil de fazer e que, por isso, era a solução ideal quando se juntavam muitos convivas.

Enquanto crescia, os 25 de Abril, em minha casa, eram comemorados com cravos, reunião de família e cozido à portuguesa. Pela manhã, Sessão Solene na Câmara Municipal e, pela tarde, brincadeiras na rua, amigos e felicidade.

Uma das vantagens dos 50 anos é ter memórias e partilhar memórias!

Hoje estou feliz e comemorei o 25 de Abril com alegria. Não desfilei na Avenida mas fui ao Estoril Open ver os jovens tenistas portugueses jogar. Almocei por lá e estive com amigos.

Mais logo, à noite, vou a uma festa!

À Espera de Godot



Já tinha saudades do Teatro da Trindade e quando se têm saudades, sabe bem, matar as saudades. Fui, então, matar saudades do teatro mais bonito de Lisboa e assistir à peça "À Espera de Godot". 

Depois de um dia intenso, de viagens e trabalho, foi bom sentar-me na plateia do teatro, no exacto momento em que as luzes de sala se apagam devagarinho e todas as atenções se dirigem para o palco. Afundo-me na cadeira, toda a minha atenção está ali, naquela espaço onde a vida se revela e a magia acontece. Vou viver a vida daqueles personagens, ou serão eles que estão a viver a minha vida? a viver tantas e tantas vidas diferentes? 

Gostei da encenação, dos actores, da luz, da cenografia.  A complexidade e intensidade do texto ganha ternura nas interpretações, ora serenas, ora intensas.  No cenário, os candeeiros eram arvores de luz, a noite e o dia sucediam-se, à espera de Godot...

No final houve tertúlia, a sala iluminou-se, actores e encenador ocuparam o palco para conversar com o público. Não eramos muitos, mas as perguntas da plateia foram bem interessantes e a conversa foi animada. 

Antes de regressar a casa, fui comer um sandwich de frango e beber uma imperial. 

Antes de dormir, já deitada, ainda peguei num livro para ler um pouco, mas adormeci e sonhei. Nos nos meus sonhos, eu não estava à espera de Godot.

Querem uma sugestão para a próxima quinta-feira? 

- Jantem cedo, vão ao teatro e, depois, passem por um bar para um petisco e uma imperial. 

O Blog dos #50


Agora que cheguei aos 50 anos passou-me pela cabeça a ideia de escrever um blog dedicado aos 50. Partilhei esta ideia no facebook e recebi muitos comentários de apoio e incentivo, mas, mais do que isso, muitos amigos, também já nos 50, manifestaram a sua vontade de partilhar comigo esta aventura.

Depois de pensar melhor, desisti da ideia de fazer um novo blog, afinal este "Nada Temer" já tem seguidores, é só lavar a cara, pôr uma roupa nova e tornar-se um pouco mais dinâmico. "Nada Temer" é um bom tema, um bom nome, para quem já entrou nos 50. Afinal, "na vida, não existe nada a temer, mas a entender" (Marie Curie).

Agora o desafio aos meus amigos: vamos lá a opinar, divagar e colaborar aqui no blog.

Pela minha parte, vou tentar ser assídua e inspirada nos posts!!!!