sexta-feira, 18 de abril de 2014

Felicidade

Obra de Arte de Ernesto Neto no Museu Guggenheim, Bilbao.



No começo de cada ano, pelo dia do nosso aniversário, quando nasce uma criança ou quando mudamos de emprego ou de casa, são tantas as situações em que nos desejamos, mutuamente, felicidades. Todos queremos ser felizes, cada um à sua maneira vai enumerando uns quantos requisitos para ser feliz. Quero, ter saúde, que não me falte o trabalho, que os meus filhos tenham sucesso na escola, no desporto, nas suas realizações. Quero viajar, quero um carro, quero roupa nova, quero .... quero .... há tanta coisa que queremos, que, de conquista em conquista, vamos vivendo os momentos fugazes de felicidade.

Mas eu quero é ser feliz, e o meu amigo deu-me o livro que eu queria ler, e o meu namorado adivinhou o meu desejo e levou-me a jantar naquele restaurante, e eu fui feliz. São pequenas coisas... eu própria as poderia ter obtido sem eles, mas é esta dádiva, a felicidade de me verem feliz, que faz  a felicidade ou como diz o poeta "é impossível ser feliz sozinho".

Ser feliz é o designío da humanidade. Todas as histórias humanas são a história da felicidade, da sua presença e da sua ausência, das estratégias para a conquistar, para a cultivar, para a fazer crescer. Para cada um de nós a busca da felicidade pessoal é um percurso muito próprio, feito de alegrias e tristezas, num momento somos felizes, em outro quase felizes e guardamos para sempre a infelicidade de uma perda, de um abandono, de uma derrota. Não há nada de misterioso na infelicidade, ela impõe-se solene e grave e toma conta de tudo. Já a felicidade é subtil e sofisticada, faz-se anunciar, ludibria os sentidos, confunde-nos com muitos prazeres, faz-nos desejar mais e mais. 

Eu quero ser feliz, não desejo a felicidade, quero apenas estar nesse estado de alma que me permite apreciar cada momento e desejar sem limites. É o desejo que me alimenta, que alimenta os meus sonhos, mas é a felicidade que me aconchega, que me guarda. Nada nos meus desejos é inocente, puro ou belo, só o prazer hedonista os satisfaz. Não posso viver sem o desejo por isso preciso de ser feliz.