domingo, 30 de junho de 2013

Vontade




"É a lassidão da nossa vontade que constitui toda a nossa fraqueza, e sempre se é forte para fazer o que se quer com força."Jean Jacques Rousseau

Há um ano que não publico nada neste meu blog. Não porque me tenham faltado temas de reflexão, histórias para contar ou tempo para escrever. Ao longo do último ano tive tudo isso, momentos de reflexão, novas histórias e tempo para as escrever. Só me faltou a vontade. aquele desejo que me vem de dentro e que transforma o pensamento em ação, os sonhos em realizações. Faltou-me a "motivação", como agora de usa dizer. Não estava motivada para escrever porque, certamente, andava ocupada com outras coisas, como concluirão alguns. Mas não é nada disso, estive, simplesmente, sem vontade, ou seja, sem desejo de escrever. Não escrevi para o blog, nem escrevi para qualquer outro fim, escrevi, apenas, alguns sms's ....

Para alguém como eu, que desde muito cedo começou a organizar os seus pensamentos e até a sua vida a partir da escrita, estar um ano sem escrever é, sem dúvida, algo de muito estranho. Não sei, ainda, se perdi algo, não sei o que determinou esta escolha, mas a verdade é que, quase sem dar por isso, o tempo foi passando e assim passou um ano. Por vezes, vinha a intenção de escrever, uma ideia a aflorar-me a mente que merecia ser registada, um acontecimento feliz ou, até, triste que justificava uma nota de memória, um projeto confuso que poderia ter-se esclarecido por palavras escritas; mas no momento da acção, naquele exacto momento em que tinha de pegar na caneta ou abrir o PC, uma espécie de cansaço tomava conta de mim... e, adiava. Fui adiando, adiando o momento da acção e assim se passou um ano.

Não estou a justificar-me (a quem interessaria esta justificação?), estou a refletir sobre a situação, a refletir sobre mim mesma, sobre a ausência de vontade. Li algures que "a estrada para o inferno é pavimentada de boas intenções", quase posso concluir que a do céu é feita de "boas ações" e o caminho da realização é, certamente, feito de intenções a que correspondem acções, ou seja, é feito de vontade. 

Para escrever, como para tudo na vida, é necessária vontade, é preciso que às intenções correspondam as ações e que essas ações sejam a expressão perfeita das intenções. A vontade depende, quase exclusivamente, de cada um de nós, muito pouca responsabilidade se pode atribuir às condições externas, ou à sua falta, faltando a intenção e a ação certa, nunca estarão reunidas as condições para realizarmos o que quer que seja de nosso.